Que a tecnologia possui muitos benefícios, isso todo mundo sabe, não conseguimos imaginar nossas vidas sem um aparelho celular. Apesar disso, o uso excessivo pode trazer diversos problemas para a coluna cervical, como é o caso da síndrome do pescoço de texto, "Text Neck".
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no final de 2019 o Brasil possuía cerca de 226,7 milhões de aparelhos celulares – em uma população estimada de 202,7 milhões de habitantes. Além dos smartphones terem ultrapassado em número os habitantes do país, eles também fizeram com que esse tipo de lesão específica emergisse.
O que é Text Neck?
Text Neck (Pescoço de Texto) é o termo usado para lesões por esforço repetitivo nos tecidos moles e articulações no pescoço ou na coluna cervical.
Acredita-se que essa lesão seja causada por má postura associada a muitas mensagens de texto e uso excessivo de dispositivos portáteis.
Pense em ficar debruçado sobre seu smartphone ou tablet por horas, inclinando a cabeça para a frente para mudar a curvatura natural da coluna.
Potencialmente levando a danos a longo prazo, o pescoço de texto agrava a dor muscular nas costas ou na lateral do pescoço, ombros e, às vezes, na parte inferior das costas.
O pescoço de texto também está aumentando, afetando até mesmo adolescentes e crianças pequenas.
O que a causa a doença?
Simplificando, a cabeça humana é pesada, pesa a média de 5 quilos. Em uma posição neutra em cima do pescoço, esse peso é sustentado pelos músculos, tendões e ligamentos ao redor.
Flexionar a cabeça para frente e para baixo em direção ao celular pode aumentar o peso em até 6 vezes.
Uma estimativa aponta que enquanto a coluna cervical é mantida a 15° de flexão, ela oferece um peso relativo da cabeça de 13 quilos. Já 30° de flexão se torna um peso de 20 quilos, 45° é o equivalente a 25 quilos e uma inclinação de 60° pode chegar a pesar até 30 quilos.
Continue assim por um período prolongado – digamos, uma reunião virtual, webinar ou maratona de mensagens de texto – e as estruturas do pescoço lutam contra a pressão.
Quais são os sintomas do pescoço de texto?
O Text Neck Syndrome pode causar resultados como quadros de cervicalgia agudos ou crônicos. A dor na região do pescoço, além de ter aumentado em prevalência na última década, também tem atingido cada vez mais indivíduos jovens.
Diversos sintomas podem estar ligados ao Text Neck Syndrome. No entanto, nem todos eles precisam aparecer em conjunto para que o indivíduo busque ajuda profissional. Alguns dos sintomas mais comuns que podem surgir são:
- Dor na região cervical e/ou na região da coluna torácica e das costas;
- Dor nos ombros;
- Tensão na região do músculo trapézio ascendente e transverso;
- Alteração postural;
- Formigamento ou sensação de dormência em membros superiores, mãos e dedos;
- Dor de cabeça constante ou intermitente;
- Dificuldade de movimentar o pescoço;
Como tratar?
Para dores agudas no pescoço que desaparecem, analgésicos ou anti-inflamatórios de venda livre podem ajudar.
Você também pode tentar compressas de gelo/calor, massagem, exercícios de flexão do queixo e movimentos do pescoço – rotações e flexão lateral.
Diversos massageadores podem ser bastante eficazes para momentos de crise, reduzindo significativamente as dores em momentos mais agudos.
No entanto, a prevenção é fundamental quando se trata de pescoço de texto, começando com alguns ajustes simples no estilo de vida e ajustes para melhorar a postura. As principais dicas incluem:
Posicione seu telefone celular ou tablet mais próximo do nível dos olhos para reduzir o ângulo de inclinação para frente da cabeça e do pescoço.
Faça pausas frequentes do seu dispositivo e evite o uso excessivo.
Sentado ou em pé, mantendo o corpo em uma posição neutra.
Arqueando e alongando a parte superior das costas em intervalos regulares.
Exercício para desenvolver costas e pescoço fortes e flexíveis.
Dica do Doutor Alívio
Nunca deixe de procurar um médico ou fisioterapeuta antes de apostar em medicamentos duvidosos. Massageadores podem ser eficazes para quem não sofre de dores crônicas.
